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Subir na Árvore


Sorrisos de domingo preenchiam a rua por onde as bicicletas passavam cortando, quatro figuras corriam e uma ordenava o bando. - Eu vou chegar primeiro!!!

- Não sobe no meu galho, senão...

- Seu galho? Não tem seu nome lá.

- Gente sem briga, tem muito galho nessa árvore!

- Vocês não conseguem ir onde eu vou mesmo...

Rodas girando, freios gritando, bicicletas no chão.

- Não empurra!

- Olha as formigas!

- Não pisa na minha mão!

- Tirem as bicicletas da estrada.

- Anda logo!

E lá iam as cinco figuras na árvore...

Ela era anorme, pelo menos do ponto de vista das crianças. Mas ficava pequena uma vez que todos estavam lá em cima.

- Troca de galho comigo?

- Eu não, esse aqui é bem melhor.

- Eu troco de volta depois...

- Não.

- Tá bom então, tomara que esteja cheio de formigas aí!

- Gente, sossega senão vocês vão cair.

- To indo aí do seu lado.

- Mas não vai caber dois aqui.

- Então você vai ter que sair.

- Nem vem, eu cheguei primeiro.

- Pode chegar primeiro no chão também...

- Olha, se vocês não pararem a gente vai embora agora!

- Tá bom.

- Tá bom.

- Tá bom.

- Tá bom.

Cinco olhares admirando o pôr-do-sol.

Quando a luz do sol está quase sumindo é anunciado o tempo de ir embora.

- Ah, vamos ficar mais um pouco...

- Mais dez minutos só...

- Não dá.

- Cinco?

- Não dá.

- Poxa...

- A gente volta semana que vem, tá bom?

- Volta mesmo?

- Sim, mas só se vocês descerem agora.

- Então vamos.

Cinco figuras descem da árvore. Cinco bicicletas sendo pedaladas. Cinco olhares para trás, semana que vem tem mais.

Cinco anos se passaram, e depois destes mais cinco, e os anos continuam contando. A árvore está lá, mas as bicicletas não chegam mais. A árvore continua a mesma e o pôr-do-sol não mudou, mas as cinco figuras correm por caminhos diferentes.

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